Gás

O dióxido de carbono (CO2) adicionado nas bebidas refrescantes tem uma função estética e sensorial, conferindo às bebidas um sabor ácido agradável para muitas pessoas. Além disso, actua como conservante e anti-oxidante, ajudando a manter as propriedades das bebidas.

O CO2 é um tipo de gás que faz parte da vida dos seres vivos, que o produzem quando respiram. Não tem calorias, pelo que não engorda.

Com efeito, as notícias que relacionam as bebidas gaseificadas com o problema do excesso de peso têm origem na confusão entre as bebidas gaseificadas e as bebidas com adição de açúcar. É verdade que muitas bebidas gaseificadas também têm açúcar adicionado, mas não se deve ao gás o contributo que o consumo destas bebidas possa ter para o problema do excesso de peso. De facto, o CO2 não tem energia assimilável pelo corpo humano, ou seja, não tem calorias. Uma ingestão exagerada de calorias, não equilibrada pela prática de actividade física, é que poderá contribuir para o excesso de peso.

O gastrenterologista Rosário Cuomo, da Universidade Frederico II, em Nápoles, Itália, apresentou um estudo que comprova que o consumo de bebidas com gás não está associado ao aumento prolongado do volume do estômago. A pesquisa italiana, que analisou os efeitos das bebidas carbonatadas no sistema gastrointestinal através da ressonância magnética, conclui que as bebidas com gás podem apenas aumentar o volume gástrico no período imediatamente a seguir à sua ingestão, retomando em seguida o volume normal.

O consumo de bebidas gaseificadas é por vezes desaconselhado às pessoas que padecem de refluxo gástrico. No entanto, a evidência demonstra que as bebidas com gás têm um impacto não significativo no refluxo gástrico. As bebidas gaseificadas são apenas um de muitos factores que, numa vida normal, podem provocar a relaxação da barreira anti-refluxo (o esfíncter entre o esófago e o estômago) e, como consequência, o arrotar ou mesmo o refluxo gástrico.

No passado foi apontada uma associação entre o consumo de bebidas gaseificadas e um risco acrescido de fracturas ósseas em jovens, mas não há mecanismo biológico que a explique. Os resultados dos estudos observacionais que apontaram esta associação são actualmente explicados por perfis de estilo de vida em que o consumo elevado de bebidas gaseificadas coincide com dois factores de risco de osteoporose conhecidos: um baixo consumo de leite e de alimentos ricos em cálcio e níveis de actividade física insuficientes.

Não existe qualquer relação entre a existência de gás nas bebidas e a capacidade de hidratação das mesmas. Estudos realizados em atletas de alta competição, que estão mais expostos aos riscos de desidratação, revelaram que o consumo de bebidas carbonatadas não influenciam a excreção de electrólitos nem a quantidade de líquidos ingerida, não tem efeito ao nível do esvaziamento gástrico , não causam sensação de desconforto gastrointestinal, nem influenciam a performance do atleta.



Fontes:

  • Cuomo R. Carbonated Beverages and Gastrenterology System: Myth vs Reality, Março 2008
  • Fass R. Carbonated Beverages and Upper GI Disorders: What is the Evidence?, Julho, 2008
  • Hickey MS, Costill DL, Trappe SW., Drinking behaviour and exercise-thermal stress: role of drink carbonation. 1: Int J Sport Nutr. 1994 Mar;4(1):8-21.
  • Ryan AJ, Navarre AE, Gisolfi CV. Consumption of carbonated and noncarbonated sports drinks during prolonged treadmill exercise in the heat. Int J Sport Nutr. 1991 Sep;1(3):225-39.
  • Zachwieja JJ, Costill DL, Beard GC, Robergs RA, Pascoe DD, Anderson DE., The effects of a carbonated carbohydrate drink on gastric emptying, gastrointestinal distress, and exercise performance. Int J Sport Nutr. 1992 Sep;2(3):239-50.


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